Xoves 02.09.2010
| Actualizado 18.54
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Os aviões são esse invento comparável ao descobrimento das máquinas de lavar, e que por falta de tempo e perda da capacidade para a surpresa, não admiramos o seu desafio a da Vinci e à gravidade.
Os e as tecnólogas embora não sejam educadas para a cidadania também têm ética, que muitas vezes esvara indistinguível pola ética construída pola cibernética, a ciberética. Há anos, sem saber que esta matéria também existia, achei numa aula de inteligência artificial na faculdade que para a maior parte dos meus futuros colegas era evidente que um computador inteligente que controla um avião devia ter sempre a última decisão, inclusive para casos de aterragem forçosa ou qualquer tipo de problema grave. Um computador era quem deveria decidir finalmente, muito por acima de um humano. Aí nasceu o meu medo aos aviões.
No MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, onde moram muitas das mentes mais privilegiadas do planeta azul, desenvolvem investigações que em muitos dos casos adiantam-se à realidade em vinte ou trinta anos. Em 1997 Rosalind W. Picard publicou um trabalho sobre como incorporar emoções aos computadores. Mas ao contrário das aparências o grande problema não era implementar a emoção nas máquinas lógicas, mas saber com certeza o que são as emoções, os sentimentos.
Rosalind tira a conclusão que um computador para ter sentimentos deveria ter consciência de si próprio, o seu comportamento teria de ser gerado polas emoções, ter reacções rápidas primárias em certas situações, e sobretudo ter uma experiência emocional. Uma subjectividade que guia-se as suas decisões para caminhar pola via da imperfeição como tantos humanos.
Dous anos antes deste trabalho do MIT miles de kilómetros mais longe, em qualquer faculdade, concluía-se pola maioria pensante que os computadores embora não tenham emoções deveriam ter a última palavra, consagrando a razão e a lógica face às intuições, aos sonhos de voar. O que já não era tão evidente é se eles nesse caso subiriam a esse avião.
Desde aquela estou à espreita de subir a um avião, que diga se utiliza ou não um computador emocional a bordo. Provavelmente esse dia deixarei de ter medo à aeronáutica, sabendo que haverá um piloto que dirija as manobras da viagem até nos momentos mais graves, incluindo nas suas decisões, emoções, sentimentos e imperfeições. O que nunca entenderia é qual foi a razão para substituir ao seu predecessor humano. A adoração pola tecnologia ganharia de novo a batalha.